Roube como um artista – 10 dicas sobre criatividade – Austin Kleon
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Teatro tem lucro e Hollywood aumenta seus ganhos na Broadway
FONTE: PATRICK HEALY
DO "NEW YORK TIMES"
Para entender por que Hollywood está começando a fazer musicais para a Broadway, basta olhar pela janela do escritório de Jimmy Horowitz, o presidente da Universal Pictures. No chão do estúdio, abaixo, está o cartaz preto e verde do musical "Wicked". A Universal é o principal investidor do musical, que, desde 2003, já rendeu US$ 3 bilhões. "Wicked" está a caminho de se tornar o empreendimento mais lucrativo da história da Universal.
"'Wicked' abriu nossos olhos para o que pode acontecer quando você tem um espetáculo que se torna perene", disse Horowitz, cujo estúdio inicialmente planejou transpor o romance "Wicked", de 1995, para o cinema --e agora prevê criar um filme a partir do musical. "Acho que não tínhamos visualizado bem como seria esse fluxo de receita."
Agora a Universal está convertendo "O Clube dos Cafajestes" em musical. "De Volta para o Futuro" pode ser o próximo. A Twentieth Century Fox pensa em dar o mesmo tratamento a "Uma Babá Quase Perfeita" e "O Diabo Veste Prada". A Sony está trabalhando sobre "Tootsie".
A temporada atual na Broadway está sendo dominada por obras que foram adaptadas do cinema para o palco, como "Rocky" e "Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas". O musical "Aladdin" vai chegar neste inverno, adaptado pela própria Disney.
| Divulgação | ||
| Rocky Balboa (Sylvester Stallone, à esq.) enfrenta Apollo Creed (Carl Weathers) em cena do filme 'Rock - O Lutador', de 1976 |
As adaptações para o teatro podem ser suficientemente rentáveis para que questões de originalidade sejam deixadas de lado.
Por isso, executivos de Hollywood estão tentando resolver o enigma do que é necessário para um filme virar um musical de sucesso. É uma estratégia de "pôr as mãos na massa" e uma mudança importante, após décadas em que os estúdios passivamente vendiam os direitos de filmes a produtores teatrais, que se encarregavam da maior parte do trabalho.
"Estamos examinando nossos 4.000 filmes para identificar as histórias que tenham a maior ressonância emocional --histórias que sejam próprias para serem cantadas no palco", disse Lia Vollack, chefe do setor teatral da Sony.
A maioria dos musicais da Broadway é feita de adaptações, mas queixas sobre filmes transpostos para musicais são uma tendência relativamente recente. A última queixa, do crítico de cinema do "Telegraph", de Londres, saiu no mês passado sob o título "Poderíamos, por favor, parar de converter grandes filmes em musicais?".
Mesmo assim, depender de um filme de título famoso nunca foi garantia de sucesso. Aproximadamente 75% dos espetáculos encenados na Broadway dão prejuízo, incluindo muitos filmes populares convertidos em musicais.
"Às vezes, o material não funciona bem quando transposto para o palco", explicou Mark Kaufman, um dos executivos da Warner Brothers responsáveis por empreendimentos teatrais. "Às vezes o público se queixa: 'Por que não há musicais originais?'. O que está acontecendo agora é que Hollywood e a Broadway estão tentando criar espetáculos melhores juntos."
No mês passado, a Fox anunciou uma parceria com um dos produtores mais bem-sucedidos da Broadway, Kevin McCollum. Executivos da Fox convidaram Isaac Robert Hurwitz, do Festival de Teatro Musical de Nova York, a assessorá-los em seus projetos com McCollum e na estratégia de criação de produções teatrais.
Está por trás desses acordos a percepção de que a maioria dos cineastas não sabe criar grandes espetáculos de teatro musicais por conta própria.
Executivos de estúdios dizem estar contando com veteranos da Broadway para lhes dizer, entre outras coisas, quais personagens devem cantar e, se sim, como isso deve ser feito.
"Um filme pode ter muito mais cenas que um musical, e muita coisa pode ser feita com close-ups e outros artifícios cinematográficos. Tivemos que pensar com cuidado sobre quais cenas conservar e transpor para o teatro e quais momentos poderiam ser convertidos em canções", comentou Dan Jinks, um dos produtores do filme "Peixe Grande" e que está trabalhando na adaptação musical do filme. "No filme, há uma cena em que o tempo para e o personagem principal atravessa uma tenda de circo. É uma cena fascinante." O compositor Andrew Lippa escreveu "Time Stops" para a cena, e Jinks disse que a canção "atinge o espectador de uma maneira que apenas o teatro musical é capaz ".
Pelos padrões de Hollywood, os orçamentos de musicais do teatro são agradavelmente pequenos --entre US$ 5 milhões e US$ 20 milhões, comparados com US$ 100 milhões ou mais para filmes. Os estúdios de cinema são uma dádiva para os produtores de musicais, que, de outro modo, precisam reunir dezenas de investidores.
Um teste para "Rocky", produção de US$ 15 milhões, será se o público vai aceitar outro ator que não Sylvester Stallone no papel principal. Mesmo Stallone, astro original de "Rocky" e um dos produtores do musical, reconheceu o fato. "Acho que o musical é original. Mas nós sabemos que a palavra final será dada pela plateia."
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Unesco seleciona profissionais para projetos
A Representação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco/Brasil) está com inscrições abertas para uma série de editais de seleção de projetos a serem desenvolvidos no país, incluindo a área cultural.
O edital de nº 15 de 2013 oferece sete vagas para consultor, na modalidade produto, com locação no Ministério da Cultura (MinC).
O prazo de vigência dos contratos varia de 200 a 300 dias e os projetos serão voltados para trabalhos de pesquisa e monitoramento de ações do Programa Cultura Viva, dos Colegiados, Fóruns e Conselhos de Cultura, do Sistema Nacional de Informações e Indicadores de Cultura, de propostas de metodologia para boas práticas de gestão de ações socioculturais, entre outras.
Os editais estão disponíveis no site da Unesco.
*Com informações do MinC
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
MinC seleciona projetos culturais para a Copa
O Ministério da Cultura lançou nesta sexta-feira (9/8) o edital para o concurso Cultura 2014, que consiste na escolha de pelo menos 206 (duzentos e seis) trabalhos artístico-culturais, relativos à participação de artistas, grupos, coletivos e agentes culturais para promover a cultura brasileira no período da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. O valor investido ultrapassará R$ 50 milhões.
As inscrições para o concurso Cultura 2014 estarão abertas até 23 de setembro.
Edital Carmen Santos de Cinema de Mulheres tem inscrições prorrogadas
As inscrições para o EDITAL CARMEN SANTOS DE CINEMA DE MULHERES 2013 – APOIO PARA CURTA E MÉDIA-METRAGEMforam prorrogadas até o dia 02 de setembro de 2013, às 18 horas. A ampliação do prazo ocorre devido ao grande interesse do público e a procura por informações.
O Edital tem o intuito de incentivar a produção cultural de mulheres e dar visibilidade à produção cinematográfica feminina, por meio do apoio à produção de obras audiovisuais cuja titularidade e direção sejam de mulheres. O conteúdo pode ser do gênero ficção, documentário ou animação.
Serão premiadas 10 (dez) obras audiovisuais de curta-metragem de até 5 (cinco) minutos, com o valor de até R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais) cada. Também serão contempladas 6 (seis) obras audiovisuais de média-metragem, de 26 (vinte e seis) minutos, de até R$ 90.000,00 (noventa mil reais) cada.
As obras audiovisuais deverão ser inscritas por pessoas físicas, mulheres, brasileiras natas ou naturalizadas, que se apresentem obrigatoriamente como diretoras, sendo facultativo o acúmulo de outras funções.
A inscrição é gratuita e deverá ser realizada por meio de sistema online SALICWEB. Confira o edital e saiba mais.
O Edital tem o intuito de incentivar a produção cultural de mulheres e dar visibilidade à produção cinematográfica feminina, por meio do apoio à produção de obras audiovisuais cuja titularidade e direção sejam de mulheres. O conteúdo pode ser do gênero ficção, documentário ou animação.
Serão premiadas 10 (dez) obras audiovisuais de curta-metragem de até 5 (cinco) minutos, com o valor de até R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais) cada. Também serão contempladas 6 (seis) obras audiovisuais de média-metragem, de 26 (vinte e seis) minutos, de até R$ 90.000,00 (noventa mil reais) cada.
As obras audiovisuais deverão ser inscritas por pessoas físicas, mulheres, brasileiras natas ou naturalizadas, que se apresentem obrigatoriamente como diretoras, sendo facultativo o acúmulo de outras funções.
A inscrição é gratuita e deverá ser realizada por meio de sistema online SALICWEB. Confira o edital e saiba mais.
terça-feira, 5 de março de 2013
A originalidade não existe
FONTE: FOLHA ONLINE
João Pereira Coutinho
Não existe autor que não tenha apresentado como seus os conceitos
que nasceram de outras penas
Em 1916, um obscuro autor alemão, Heinz von Lichberg, escreveu um conto. O
"Times Literary Supplement", anos atrás, publicou esse conto. História simples:
um jovem estudante aluga um quarto de hotel e apaixona-se pela filha pré-púbere
dos donos. O final é lúgubre para a "ninfeta" em questão. Nome do conto?
"Lolita."Quando li essa revelação, caí do céu. "Lolita", o romance de Vladimir Nabokov publicado em 1955, é um dos meus livros da vida. Mas agora existia uma sombra de ilegitimidade a pairar sobre a obra: teria Nabokov roubado a história a Heinz von Lichberg?
Nas semanas seguintes, a polêmica instalou-se nas páginas do "TLS". Conclusão possível: sim,
Nabokov provavelmente lera o conto durante a sua passagem pela Alemanha. Mas era impossível estabelecer com certeza se o roubo foi consciente ou inconsciente.
E não seria de excluir que, décadas depois de o ler, Nabokov tenha iniciado a sua "Lolita" como se a ideia fosse sua e apenas sua.
Eis a tese do neurocientista Oliver Sacks em ensaio magistral para o "The New York Review of Books". Sacks não se ocupa de Nabokov, claro, embora o título do seu texto seja, ironicamente, um evocação do escritor ("Speak, Memory"). Sacks está interessado em analisar o fenômeno da "criptomnésia", que por vezes se confunde com o rasteiro "plágio".
Um erro, avisa Sacks. "Plagiar" é roubar de forma intencional e consciente o trabalho intelectual de terceiros. Mas "criptomnésia" é outra coisa: esquecermos as fontes do que lemos, deixando que a memória construa a sua própria "originalidade" sobre elas.
Isso é recorrente no trabalho intelectual e não existe autor -de Shakespeare a Coleridge, de Milton a T.S. Eliot- que não tenha apresentado como seus os conceitos, as ideias e até as frases que nasceram de outras penas esquecidas.
Mas a "criptomnésia" não precisa do trabalho literário para tiranizar a nossa memória. O próprio Sacks relata uma experiência da sua juventude na Inglaterra, durante a Segunda Guerra, que nunca foi uma experiência real. Sim, ele julgava ter escapado a dois bombardeamentos nazistas. Até escreveu sobre eles com impressionante vivacidade.
Mas foi preciso o testemunho de um irmão mais velho para que a "verdadeira verdade" substituísse a "subjetiva verdade": ele, Oliver, experienciou o primeiro bombardeamento, não o segundo. Do segundo, lera apenas a respeito -e o impacto dessa leitura fez com que a memória diluísse a fronteira entre a "verdade histórica" e a "verdade narrativa". Ou, melhor dizendo, a "verdade narrativa" transformou-se em "verdade histórica".
A nossa memória é ambígua porque toma como verdade o que por vezes não foi verdade. Incorpora experiências, ou ideias, ou conceitos que não são radicalmente nossos. Mas que se oferecem como nossos quando as pegadas da originalidade já desapareceram do nosso areal interior.
Será isso uma fraqueza, que no limite impede qualquer criação ou recordação "autênticas"?
Longe disso, escreve Oliver Sacks: a "criptomnésia" é fundamental para qualquer atividade criativa. Se o nosso cérebro fosse um arquivo rigoroso, catalogando cada experiência ou referência com precisão mecânica, nós seríamos incapazes de funcionar ou criar. Não pela consciência insuportável de que nada é nosso.
Mas pelo motivo mais básico de que todas as informações, mesmo as mais desprezíveis, ocupariam todo o "espaço" mental.
Paradoxalmente, criamos porque esquecemos. E esquecemos, de forma ainda mais paradoxal, o que a nossa memória registrou como significativo para nós: um reservatório de conhecimentos ou encantamentos onde iremos voltar um dia -anos depois, décadas depois- para construir as nossas "originalidades".
Por mim falo: escrevo porque leio. E esqueço o muito que li. Mas sei que nesse esquecimento a minha memória não dorme. Ela será sempre um ladrão silencioso e noturno, jogando para dentro da sacola uma ideia aqui, uma imagem acolá, uma provocação mais além.
Sem falar das minhas experiências de vida -as experiências vividas, as experiências escutadas, as experiências inventadas- e que já fazem parte do meu DNA.
Serei uma fraude, como o velho Vladimir e a sua "ninfeta"?
Melhor, leitor, muito melhor: como todos nós, sou uma fraude que se julga original.
jpcoutinho@folha.com.br
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Inscrições para Prêmio Passo Fundo de Literatura, de R$ 150 mil, estão abertas
Fonte: FOLHA ONLINE
Estão abertas, até 17 de junho, as inscrições para o Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, que pagará R$ 150 mil a romances em língua portuguesa publicados no Brasil entre junho de 2011 e 31 de maio de 2013.
Começa 14ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo
O prêmio, concedido a cada dois anos e anunciado sempre durante a Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo (RS), é um dos que pagam valor mais alto no país e está em sua oitava edição.
Na última edição do evento, em 2011, o vencedor foi o romance "Cidade Livre" (Record), do escritor e diplomata João Almino, que atualmente concorre à cadeira do poeta Lêdo Ivo na Academia Brasileira de Letras.
Cada escritor pode concorrer com apenas um romance. O vencedor será anunciado na abertura da 15ª Jornada Nacional de Literatura, no dia 27 de agosto --o evento vai até dia 31, na Universidade de Passo Fundo.
Mais informações sobre as inscrições no site da Jornada de Passo Fundo
Estão abertas, até 17 de junho, as inscrições para o Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, que pagará R$ 150 mil a romances em língua portuguesa publicados no Brasil entre junho de 2011 e 31 de maio de 2013.
Começa 14ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo
O prêmio, concedido a cada dois anos e anunciado sempre durante a Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo (RS), é um dos que pagam valor mais alto no país e está em sua oitava edição.
Na última edição do evento, em 2011, o vencedor foi o romance "Cidade Livre" (Record), do escritor e diplomata João Almino, que atualmente concorre à cadeira do poeta Lêdo Ivo na Academia Brasileira de Letras.
Cada escritor pode concorrer com apenas um romance. O vencedor será anunciado na abertura da 15ª Jornada Nacional de Literatura, no dia 27 de agosto --o evento vai até dia 31, na Universidade de Passo Fundo.
Mais informações sobre as inscrições no site da Jornada de Passo Fundo
MinC convoca artistas voluntários para Copa das Confederações
Estão abertas, até o dia 16 de fevereiro, as inscrições para o cadastro de voluntários artistas que queiram participar das cerimônias de abertura e encerramento da Copa das Confederações FIFA 2013. As cerimônias acontecem, respectivamente, nas cidades de Brasília e Rio de Janeiro.
Para saber mais, acesse www.brasilvoluntario.gov.br.
*Com informações do site do MinC
Para saber mais, acesse www.brasilvoluntario.gov.br.
*Com informações do site do MinC
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
iIbero-americana: apoio ao desenvolvimento de projetos de cinema e televisão
Estão abertas as inscrições para o Programa Ibermedia, de estímulo à promoção e à distribuição de filmes ibero-americanos. Criado em 1997 e ratificado por 18 países, que financiam o programa, o Fundo de Apoio Ibermedia faz parte da política audiovisual da Conferência de Autoridades Cinematográficas Ibero-americanas (CACI), da qual a Agência Nacional do Cinema (Ancine) faz parte, representando o Brasil.
Para o ano de 2013, serão aceitas propostas nas seguintes linhas: apoio a programas de formação orientados a profissionais da indústria audiovisual ibero-americana; apoio ao desenvolvimento de projetos de cinema e televisão; apoio à coprodução de filmes ibero-americanos. Cada linha tem seu próprio regulamento.
A linha de apoio a programas de formação beneficiará escolas de cinema e/ou televisão, universidades, centros de formação profissional especializados, sociedades privadas pertencentes à indústria audiovisual e organizações/associações profissionais pertencentes à indústria audiovisual. Empresas de de televisão podem ser ser sócias, mas não candidatas.
Na linha de apoio ao desenvolvimento de projetos, o valor máximo que se pode conceder a cada projeto é de 15 mil dólares. Para fins de seleção, serão considerados os critérios de adequação ao formato pretendido, qualidade e originalidade da ideia, roteiro e estrutura narrativa, currículo da da empresa e equipe, e trajetória da empresa com o programa Ibermedia.
Já para a linha de coprodução de filmes ibero-americanos, são elegíveis os projetos de filmes de longa-metragem de ficção com duração mínima de 70 minutos, destinados à exploração comercial. Os projetos devem apresentar cooperação artística e técnica, ou financeira. Será dada preferência a projetos com distribuição comercial confirmada em cada um dos países coprodutores e fora deles.
As inscrições vão até o dia 30 de abril. Para saber mais, acesse www.programaibermedia.com.
*Com informações do site da Ancine
Para o ano de 2013, serão aceitas propostas nas seguintes linhas: apoio a programas de formação orientados a profissionais da indústria audiovisual ibero-americana; apoio ao desenvolvimento de projetos de cinema e televisão; apoio à coprodução de filmes ibero-americanos. Cada linha tem seu próprio regulamento.
A linha de apoio a programas de formação beneficiará escolas de cinema e/ou televisão, universidades, centros de formação profissional especializados, sociedades privadas pertencentes à indústria audiovisual e organizações/associações profissionais pertencentes à indústria audiovisual. Empresas de de televisão podem ser ser sócias, mas não candidatas.
Na linha de apoio ao desenvolvimento de projetos, o valor máximo que se pode conceder a cada projeto é de 15 mil dólares. Para fins de seleção, serão considerados os critérios de adequação ao formato pretendido, qualidade e originalidade da ideia, roteiro e estrutura narrativa, currículo da da empresa e equipe, e trajetória da empresa com o programa Ibermedia.
Já para a linha de coprodução de filmes ibero-americanos, são elegíveis os projetos de filmes de longa-metragem de ficção com duração mínima de 70 minutos, destinados à exploração comercial. Os projetos devem apresentar cooperação artística e técnica, ou financeira. Será dada preferência a projetos com distribuição comercial confirmada em cada um dos países coprodutores e fora deles.
As inscrições vão até o dia 30 de abril. Para saber mais, acesse www.programaibermedia.com.
*Com informações do site da Ancine
A privatização do vale-cultura
Há um certo malestar com os rumos da cultura no Brasil, segundo vozes tão diversas quanto Zeca Pagodinho e Mino Carta. Estamos regredindo? A vulgarização nos dominou? Mas é interessante que pouco se discuta o uso dos estimados R$ 7 bilhões em dinheiro público que o tal Vale-Cultura gastará.
É a maior bandeira do Ministério da Cultura, que vai continuar a usar dinheiro público para bancar a cultura de mercado, aquela que já anda sozinha sem incentivos. Empregadores descontarão de impostos R$ 45 dos R$ 50 do vale. Os outros R$ 5 dos R$ 50 mensais serão diretamente bancados pelo governo.
Há quase duas décadas, são os departamentos de marketing das grandes empresas do Brasil que decidem o grosso da verba para a cultura no país.
A Lei Rouanet até ressuscitou a cultura após o terremoto Collor e permitiu o surgimento de muita gente boa, mas a maior parte de sua verba vai para os nomões de sempre, que poderiam sobreviver sem dinheiro público. Sim, as empresas usam dinheiro público em seu marketing e o governo abre mão de ter uma política cultural.
O Vale-Cultura, que deve ser regulamentado até o dia 26, vai botar ainda mais dinheiro público na cultura de mercado. A própria ministra Marta Suplicy afirmou que com o vale, o trabalhador "vai comprar o que quiser". E disse que podem comprar "até revista porcaria", uma escorregada que revela o que ela acha dos destinatários de tal "proposta cultural".
À primeira vista, parece um mix de política generosa "de esquerda" com populismo pão-e-circo.
Mas, se com a Lei Rouanet, já bancamos de shows do Cirque du Soleil a comédias globais, o vale-cultura será facilmente investido/gasto nos multiplex de multinacionais americanas, nos cantores breganejos que já fazem muito sucesso (e que já estão ricos), nos musicais da Broadway. Quem precisa de mais Paulo Coelho? Ou de livros do Silas Malafaia?
Nos raros países onde existem Ministérios da Cultura com orçamento polpudo, a norma é patrocinar o que o mercado não tem interesse. O novo, o arriscado, o polêmico, o criativo; a poesia, a música clássica, o teatro e o cinema (este quase sempre é alternativo se não for made in Hollywood ou TV Globo).
Verbas públicas mundo afora combinam arte com educação ou mesmo arte com profissionalização.
Desde a educação artística (para valer) no ensino básico a escolas profissionalizantes que formem restauradores, produtores, mixadores, iluminadores, maquiadores, roteiristas e tantas grandes profissões que o Brasil precisa (e com milhões de jovens à procura de uma colocação melhor).
O Vale-Cultura não terá esse papel "redistributivo" que aparenta ter. Como já acontece nos filmes de Hollywood, os maiores beneficiários do tal vale serão aqueles que já possuem poder de fogo para gastar em publicidade maciça, usando os meios industriais de sempre. Os músicos que tocam na novela e no Faustão, os livros de autoajuda que ficam nas primeiras prateleiras das livrarias, os blockbusters. É para isso que gastaremos R$ 7 bilhões? A cultura continuará privatizada com dinheiro público.
Como já acontece com ProUni e Minha Casa, minha vida, não haverá exigência de contrapartida para quem for receber essa montanha de dinheiro público. As universidades privadas continuam ser ter que investir em pesquisa ou em novos doutores, as empreiteiras não precisam criar urbanismo em suas novas "Cidades de Deus". Não se exigirá dos promotores da cultura de mercado funções gratuitas, cursos de formação ou livros mais baratos.
Mas não haverá gritaria, caros Zeca e Mino. Uma das ideias mais estapafúrdias da ministra Marta Suplicy, de construir "CEUs da Cultura" na Europa, nem causou rebuliço nas redes sociais. Como se Londres e Paris precisassem mais de centros culturais com dinheiro público do que Cascavel ou Palmas. Nestes dias em que os coletivos "alternativos" viraram completamente chapa-branca, não haverá debate _ coisa que só acontece quando há oposição e situação.
Siga no Twitter: @rauljustelores
Nova York, ex-correspondente em Pequim e Buenos Aires e ex-editor
do caderno 'Mercado', e bolsista da fundação Eisenhower Fellowships. Escreve às quartas-feiras no site. Siga: @rauljustelores
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